quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Tsai Chih-Chung

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

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Helen Carvalho Irene Baptista Isis da Silva Ladieslei Souto Roberto Lima CORDEL Editora Inventa que acontece Brasília 2012 © 2012 by Helen Cristiny Carvalho, Irene Ribeiro Baptista, Isis Santos da Silva, Ladieslei Souto e Roberto Andrade Lima. Todos os direitos reservados. De acordo com a lei nº 9610, de 19/2/1998, nenhuma parte desse livro pode ser fotocopiada, gravada, reproduzida ou armazena num sistema de recuperação de informação ou transmitida sob qualquer forma ou por qualquer meio eletrônico ou mecânico sem prévio consentimento dos autores e do editor. As marcas registradas em nomes comerciais mencionados neste livros, mesmo que não sejam identificados como tais, pertencem aos seus proprietários nos termos das leis nacionais e convenções internacionais. Este livro obedece ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990. Revisão: Luís Donádio Capa: Ísis Santos da Silva Carvalho, Helen Cristiny Gomes et al Cordel Histórias do Cangaço / Helen Cristiny Gomes Carvalho, Irene Ribeiro Baptista, Isis Santos da Silva, Ladieslei Souto e Roberto Andrade Lima. – Brasília, DF: Inventa queacontece / Livros, 2012. Bibliografia ISBN 0-9553010-0-9   Este livro é dedicado aos nossos familiares e amigos por seu apoio, carinho e compreensão.  Agradecimentos À professora GreycianeSouza Lins pela orientação no decorrer das aulas e o constante estímulo transmitido durante todo o desenvolvimento deste projeto. Aos amigos, familiares, professores, colegas de faculdades e de trabalho e a todos os demais que colaboraram direta ou indiretamente no planejamento e execução deste trabalho. “Cordel quer dizer barbante Ou senão mesmo cordão, Mas cordel – literatura É a real expressão Como fonte de cultura Ou melhor poesia pura Dos poetas do sertão.” (Rodolfo Coelho Cavalcante) Sumário Pág. Dedicatória I Agradecimentos III Prefácio 11 Introdução 12 A mulher que botou o diabo na garrafa 15 A chegada da prostituta no céu 25 Cordel para Pixinguinha 35   Prefácio Quando nos foi apresentada a ideia de fazer um livro, decidimos logo que o faríamos a respeito da Literatura de Cordel. Mas por que, dentre infinitos assuntos possíveis, escolhemos o Cordel? O Cordel faz parte da cultura brasileira, mas nas raras ocasiões em que é apresentado ao grande público, não tem o reconhecimento que lhe é devido. Desprezado e classificado erroneamente como folclore regionalista, o Cordel tem sido mantido na sombra. Nós, como alunos da Ciência da Informação, vimos nesse projeto a oportunidade de disseminar a bela e riquíssima cultura nordestina e torná-la acessível aos leitores que a desconhecem. Os contos escolhidos falam de temas diversos, mas são sempre narrados de forma simples e do ponto de vista do cidadão comum. Desejamos a você uma boa leitura.   Introdução O Nordeste é conhecido pela seca e pela fome seu solo empobrecido já é parte do seu nome Mas o Nordeste te muito mais que vidas secas e morte Severina mais que tapioca e cajuína de lá vêm mestres imortais e o romance de cordel vendido em praça ou mercado pelo povo comum, apreciado feito de tinta e qualquer papel fome o povo sente mas orgulho também tem: “Não troco meu ‘oxente’ pelo ‘ok’ de ninguém”¹ Ariano Suassuna  A MULHER QUE BOTOU O DIABO NA GARRAFA Havia lá no sertão uma mulher bem casada com um homem ciumento desses que não valem nada desses machões que nunca deixa a mulher sossegada. A mulher era fiel mas ele a tocaiava brigava sempre com ela ela chorando jurava mas de toda forma ele na mulher não confiava. Até que chegou um ponto dele espancar ela, um dia, ela apanhando e dizendo que aquilo não merecia, e era de chegar a hora que ela se vingaria. E ele bruto como era não confiava em ninguém todo dia era uma briga e naquele vai e vem o diabo apareceu para faturar também. O homem foi trabalhar encontrou um molequinho pinoteando em sua frente ele achou engraçadinho ele pulava e se sumia bem no meio do caminho. O homem disse ao moleque: você é inteligente. O menino disse: eu sei tudo quanto você sente me pague que eu lhe sirvo em tudo daqui pra frente. Eu sei que és ciumento e na mulher não confia, se me deres tua alma eu tocaio todo dia pra onde ela for eu vou te juro com garantia. Mas para isso preciso eu ir contigo morar. Eu estando em tua casa você pode viajar e garanto que não deixo sua mulher namorar. Ele levou o neguinho chegou lá disse à mulher: está vendo este negrinho? ele é cheio de mister ele vai seguir seus passos até quando ele quiser. A mulher disse ao marido: você não tem jeito não és ciumento demais, sem alma e sem coração e este moleque é tão feio parece filho do cão. O homem respondeu-lhe: ele é quem vai te seguir amanhã vou viajar porque eu preciso ir. E disse para o moleque: procure bem me servir. O moleque respondeu-lhe: pode seguir sossegado deixe sua mulher em casa que eu não saio do seu lado mesmo que ela não mereça mas por você fui contratado. Na saída da viagem ela lhe fez um carinho e lamentou porque ele ia viajar sozinho, e depois ela começou conversar com o negrinho. O negrinho disse a ela: não vou sair do seu lado e por esse meu trabalho vou ser bem recompensado seu marido me entregou você pra eu ter cuidado. A mulher sorriu e disse: muito bem meu camarada vou lhe propor uma aposta pra ver se você se agrada. O moleque disse: diga e deu uma gargalhada. A mulher disse ao moleque: eu tomei uma atitude te convido pra um banho lá no meio do açude que banho é necessário para se ter melhor saúde. o moleque disse: eu topo se a senhora for pelada e quero saber da senhora a aposta solicitada e vamos cair na água nessa noite enluarada. A mulher disse: a aposta é para nós dois mergulhar e se eu sair primeiro você vai me tocaiar pra o resto da minha vida sem eu lhe atrapalhar. O moleque disse: aceito, e se eu sair primeiro? Ela disse: eu lhe boto numa garrafa ligeiro bato a cortiça e do mundo você não sente nem cheiro. O diabo disse: tá certo vamos logo ao açude que estou um pouco sujo e quero lavar meu grude e ver também o seu corpo que a qualquer homem ilude. E assim foram ao banho e a mulher tirou a roupa. O diabo disse: é muito boa igualmente pão com sopa você é dessas mulheres que faz defunto dar popa. O diabo caiu na água mergulhou foi para o fundo, a mulher vestiu a roupa largou a perna no mundo foi procurar cabaré e ambiente vagabundo. Passou a noite na zona fez sexo de todo jeito namorou 110 homens levando tudo de eito e dizendo: aquele marido é assim que eu lhe ajeito. Procurou se divertir naquela vida sacana tomando conhaque e vinho licor, cerveja e cana, sem se lembrar do moleque passou mais de uma semana. E depois que ela transou por cabarés e motel saiu dizendo: eu agora gozei a lua-de-mel vou voltar ao açude e ao marido fiel. E chegando no açude tirou a roupa e entrou e mergulhou dentro d’água o diabo se levantou olhava pra todo canto e com a mulher se espantou. Disse ele: essa mulher é das que o diabo gosta. Naquilo a mulher saiu o diabo estava de costa. Disse a mulher: saiu primeiro e eu quem ganhei a aposta. Pegou o pobre moleque e na garrafa botou bateu bem na cortiça dentro da água jogou e saiu se rebolando pra sua casa voltou. Quando o marido chegou lhe abraçou chorando disse: eu choro é de saudade e foi logo lhe beijando e ele pelo moleque foi logo lhe perguntando. A mulher lhe respondeu toda cheia de alegria e disse-lhe: o molequinho me fez boa companhia e ele desapareceu daqui já faz mais um dia. O homem abraçou ela e entrou em seu aposento a cabeça cheia de galha tinha até chifre cinzento mas é isso que merece o homem que é ciumento. Foi essa mulher que botou o diabo na garrafa. Nos cabelos do marido não entra pente nem marrafa hoje é como chaleira que agüentou chifre e abafa. A CHEGADA DA PROSTITUTANO CÉU Do rosto da poesia eu tirei o santo véu e pedi licença a ela para tirar o chapéu e escrever a chegada da prostituta no céu Sabemos que a prostituta é também um ser humano que por uma iludição fraqueza ou desengano o seu viver é volúvel sempre abraça o engano Vive metida em orgia e cheia de vaidade é raro uma que trabalha e usa honestidade por isso fica odiada perante a sociedade Todas as religiões pra ela escala uma pena se o homem lhe abraça a mulher casada condena mas sabemos que Jesus perdoou a Madalena Falar sobre prostituta é um caso muito sério que é um ser sofredor sua vida é de mistério e para sobreviver sempre usa o adultério Perante a sociedade ela é marginalizada existe umas mais calmas e outras mais depravadas e quem tem mais ódio delas é a própria mulher casada Ela vive aqui na terra enfrentando um sacrifício se vende para os homens muitas se entregam ao vício enquanto nova se estraga e faz da miséria ofício Aconteceu que uma delas morreu em um certo dia e pela vida que levava o povo sempre dizia ela vai para o inferno pelos atos que fazia Assim que foi enterrada a alma se destinou querendo ir ao céu mas primeiro ela passou pelo portão do inferno e o diabo lhe acompanhou Saiu correndo atrás dela dizendo vem cá bichinha, um bocado como tu faz tempo que aqui não vinha e eu estou gamadão nesta garota novinha Mas na carreira que iam o diabo e a prostituta passaram no purgatório e no sindicato das puta e lá no portão do céu foi que começou a luta Porque já se encontrava uma mulher bem casada arengando com o marido que morreu de uma virada e queria entrar no céu com uma faca afiada Essa mulher que morreu era muito ciumenta quando viu a prostituta entortou o pau da venta e disse: vou te furá foi uma luta cinzenta Furou a mulher na perna o marido puxou no braço o diabo pegou também dizendo já sei que faço vou levar mesmo sem perna mas levo o melhor pedaço Nessa zuada São Pedro se apresentou no portão e disse: não tem lugar pra mulher com bestalhão só tem pra mulher sozinha e foi logo estirando a mão E pegou logo no braço da mulherzinha assanhada disse: você pode entrar aqui não lhe falta nada vai dormir na minha cama até alta madrugada Mas atrás dela já vinha outro cara de complô e disse: eu entro também pode dá o estupô porque na terra eu era dessa mulher gigolô São Pedro lhe respondeu mas aqui é diferente sou o chaveiro do céu e aqui neste batente só entra quem eu quiser que sou velho, mas sou quente Disse: vocês lá na terra fazem tudo quanto quer maltratam as prostitutas e usam como quiser mas aqui eu trato bem a todos que aqui vier E entrou de braço dado com a mulherzinha singela com uma perna furada mas São Pedro tratou dela e deu apoio a prostituta que ninguém bulia nela E com três dias depois São Pedro veio lá fora o casal estava esperando o diabo foi embora e levou o gigolô para furá-lo de espora Depois disso a prostituta foi fazendo o que bem quis botou galha em São Pedro namorou com São Luiz tirou sarro com São Bento no beco do chafariz Uma noite de São João dançou com São Expedito levou xecho de São Brás namorou com São Carlito e no fim da festa foi dormir com São Benedito E não quis Santo Oscar por ser barbudo demais deixou ele na espera e foi dormir com São Brás Santo Oscar quando acordou falou alto e bem voraz Disse ele: hoje mesmo antes de tomar café eu vou contar a Jesus essa puta como é depois da sua chegada o céu virou cabaré Ele foi disse a Jesus que ela era depravada Jesus respondeu calmo deixa essa pobre coitada se na terra sofreu tanto como vai ser castigada? Na terra não teve apoio em meio à sociedade levou a vida sofrendo e fazendo caridade aceitando preto e branco que tinha necessidade Mesmo com as prostitutas vive cheio de tarado correndo atrás das moças e mulher de homem casado se não houvesse prostituta qual seria o resultado? Ele ficou cabisbaixo e respondeu: muito bem se o sol nasce pra todos pra mulher nasceu também se um dia eu pegar ela trituro e deixo um xerém Aí ficou sem efeito a denuncia de Santo Oscar pediu perdão a Jesus e voltou pra seu lugar e encontrou São Mariano num sarro de admirar Aqui termino o livrinho em favor da prostituta para vender aos homens o rapaz, o corno e puta pessoas de baixo porte e aos de boa conduta.   Cordel para Pixinguinha Gustavo Dourado Alfredo da Rocha Viana Filho Eterno Compositor Nasceu lá na Piedade Menino bom de valor De apelido Pizindim Instrumentista arranjador... Pizindim mais Bexiguinha Novo nome originou Nosso Mestre Pixinguinha Ao mundo se revelou Da infância no Catumbi O bamba se originou... Alfredo era seu pai Do Choro, apreciador Funcionário dos telégrafos Artista e trabalhador... Pixinguinha aprendeu flauta Com o pai, bom tocador... Pixinguinha conviveu Com artistas populares Candinho Trombone,Pinguça Entre tantos outros pares Com Irineu de Almeida Musicava pelos ares... Mestre Bernardes ensinou Influiu na educação Mestre Quincas Laranjeiras Influenciou a formação O menino Pixinguinha: Artista em transformação... Piedade - Catumbi Lá no Rio de Janeiro Pela Rua Miguel Paiva Cavaquinho seresteiro Aprendeu primeiras letras Pra ser grande por inteiro... Bem novo já trabalhava O pai a acompanhar Na flauta e no cavaquinho, Nas festas sempre a tocar Com César Borges Leitão Aprende música elementar... No Liceu Santa Teresa Pixinguinha estudou No Mosteiro de São Bento Também se aperfeiçoou Com o seu pai Alfredo Na flauta se iniciou... Na Rua Vista Alegre Morou em um casarão De nome Pensão Viana De hospitaleira tradição O menino Pixinguinha Em fase de transmutação... Ganhou uma flauta do pai Da Europa, importada Custou 600 mil réis Marco na sua jornada O Instrumento musical Deu início à caminhada... Ao Grupo Choro Carioca Pixinguinha pertenceu Filhas da Jardineira, Do diretor Irineu, Desfiles de carnaval Pixinguinha empreendeu... Polca Nhônhô em Sarilho Salve a Princesa de Cristal São João debaixo D'água E música de carnaval Nininha e Dainéia, Do mestre fenomenal... Qualquer Coisa, o Morcego, Parcerias com Irineu, O Choro Lata de Leite, Pixinguinha concebeu, Ainda de calça curta, Pixinguinha aconteceu... Em Mil Novecentos e doze Atuou no carnaval Paladinos Japoneses Pixinguinha musical No La Concha com o Pádua Tornou-se profissional... Seis mil-réis por noite Ganhava para tocar Casa de chope da Lapa Samba e mesa de bar Era apenas um garoto E já era bem popular... Apresentou-se em cabarés Pelo turbilhão da Lapa Em O Ponto e no ABC, Rolava amor e até tapa Lá no Rio de Janeiro Bem no coração do mapa... Para a Casa Faulhaber Diversos discos gravou Na Favorite Records Jovem se prenunciou O futuro grande mestre Por lá se iniciou... Tocava em todo canto Não escolhia lugar, Festa, baile e quermesses, De caráter popular, Pixinguinha, Pixinguinha, Carinhoso a preparar... Cine -Teatro Rio Branco Na orquestra foi tocar Por Tute foi convidado Para a música expressar Pixinguinha bem precoce Adolescente a musicar... Na peça Chegou o Neves Pra tocar foi convidado Houve certa relutância Mas depois foi contratado Todo mundo aplaudia Seu improviso floreado... Extrapolava a partitura No Repente, bem ao vivo, De improviso inventava Com seu gênio criativo Solista e compositor Multiinstrumentista altivo... O Grupo Choro Carioca Era bem requisitado China e Léo no violão No cavaquinho ao lado, Bem tocado por Henrique, Com Pixinguinha no tablado... Com o tango Dominante Na Odeon estreou Mil Novecentos e Dezesseis Pixinguinha bem gravou No Bloco dos Parafusos Todo mundo apreciou... Com o Grupo Caxangá Musicava o carnaval Na Rio Branco desfilava No conjunto instrumental João Pernambuco a frente Em desfile sem igual... Executava toadas Samba à cateretê De tudo lá se tocava Autêntico caxinguelê Maxixe e sapateado Xote no Catinguelê... Pixinguinha Chico Dunga No grupo era conhecido Compunha para o conjunto Pra lá de sol sustenido Transcendia o dó ré mi Criador sempre atrevido... Vaga-lume sorrindo Apresentou no carnaval, No Ano de Dezessete Uma polca genial O JB publicou O evento magistral... O Grupo do Pixinguinha Fez samba e maxixeou Criou Morro da Favela Morro do Pinto gerou Gravado pela Odeon Que o trabalho divulgou... Surge o Choro Pixinguinha Que gravou a valsa Rosa Tango Sofre porque queres Bom de ritmo e de glosa Pixinguinha talentoso De carreira virtuosa... No Cinema Palais, Na orquestra atuava Animava o ambiente Enquanto se projetava Pixinguinha criativo À platéia animava... Sinhô no samba, perguntou... Quem são eles? Pixinguinha respondeu Já te digo(com China), O sucesso empreendeu Explodiu no carnaval: Em Dezenove se deu... O Grupo do Pixinguinha Tinha flauta e violão Bandola e reco-reco Piano, improvisação Cavaquinho e bandolim E ganzá na percussão... No violão, Mestre Donga Jacó a bater pandeiro China no vocal, piano Samba-canção batuqueiro, Pistom, sax, clarinete, Fox-trot brasileiro... Caxangá; Oito Batutas Grande popularidade, Seis meses em Paris Na boate Schéhérazade Exibições na Argentina, Em ritmo de Brasilidade... Pixinguinha instrumentista, Regente e arranjador, Incomparável no sax Na flauta, gênio criador Tocou choro, tango, valsa, E Sambas de grande valor... Tocou no Café Assírio No Teatro Municipal Cine Palais e Rialto Em conjunto musical Orquestrador de primeira Mestre do instrumental... Trouxe sax de Paris Para o Rio de Janeiro Nos estilo do Jazz-bands Em um padrão brasileiro Misturou diversos ritmos: Alquimista verdadeiro... Estrela de Companhia De Pixinguinha, paixão Era Jandira Aymoré Seu nome de criação Sua Albertina da Rocha Conquistou seu coração... Companhia Negra de Revista Lá conheceu Albertina, Sua musa companheira Excursionou à Argentina Buenos Aires - Mendoza E na Córdoba Platina... Orquestra Pixinguinha-Donga Na Parlophon, gravação Samba com Lamartine Mulher Boêmia, canção Vem, Meu Bem com Paulo Santos Belíssima composição... Mis Tristezas Solo Lloro Fraternidad, Os Teus Beijos Samba-choro Carinhoso Para além dos realejos Instrumental de primeira Notas, tons e mil solfejos... Samba de Nego;Ai, Eu Queria Com Vidraça cai no samba Francisco Alves encanta Como intérprete e bamba Promessa e Ciúmes Sinfonia do Caramba... Parceiro de Henrique Chaves E de Henrique Barbosa, Liderou Oito Batutas E musicou Noel Rosa Vejo Amanhecer; Filosofia Para além de verso e prosa... Eu Não Sou Arara(Donga)... Elaborou Pé de Mulata Pixinguinha criativo Boa poesia retrata Maestro - Compositor Samba além da Toccata... Arranjador exclusivo Pela Victor contratado Regravação de Carinhoso Grande sucesso relançado Pixinguinha Nota Mil Pelo nosso povo...amado... Choro: Agüenta, Seu Fulgêncio; O Urubu e o Gavião Fez também: Segura Ele Com talento e emoção Ponto alto da carreira Clareza de execução... Mestre do Improviso Na criação musical Vem Cá! Não Vou! Urubatã...Carnaval Choro - samba e tango Pixinguinha genial... Elaborou Foi Muamba Arte de compositor Lançado por Breno Ferreira Depois fez: Página de Dor Gravado por Orlando Silva Nosso magistral Cantor... Grupo da Guarda Velha Regente e arranjador Nata de instrumentistas Mestres de grande valor Atuou como flautista Maestro e Compositor... No trombone, Vantuil Donga: banjo e violão João da Baiana no pandeiro, No sax, Jonas Aragão, Chico e Luís Americano, Na clarineta, o outro João... Osvaldo Viana no afoxê Tute, rei do violão Tio Faustino no omelê Grupo de alta produção Bonfiglio e Wanderley No pistom, com inspiração... José Alves no contrabaixo Músico de primeiro plano No cavaquinho ritmado... Mestre Elísio no piano Vidraça no chocalho, Sacudia o desengano... Na bateria de bom ritmo Valfrido e Benedito Samba de Partido-Alto Expressão boa do rito Pixinguinha na regência Transformou-se em um mito... Patrão, Prenda seu Gado Com Donga e João da Baiana Uma chula bem raiada, Pra sacudir a cigana Ha! Hu! Iahô! Grito gingado da mana... Gravaram vários discos: Mário Reis, Carmen Miranda Grande cantores da época Nos terreiros de Aruanda Sílvio Caldas na canção E saravá, lá na Umbanda... Orquestra Diabos do Céu, Da Guarda, prolongamento, Acompanhou Carmen Miranda Em ritmo e movimento Assis Valente...ETC... No sabor do sentimento... Na Orquestra Columbia Maestro e arranjador Acompanhou Mário Reis Com Noel, compositor Parceria com André Filho, Me recordo de Senhor... Noel Rosa em destaque, Em Vejo Amanhecer Filosofia no samba Para a gente apreender Pixinguinha com Noel Transcendência ao nosso Ser... Moreira da Silva cantou Pra multidão...Implorar... Mestre Kid Morengueira Germano, Pepe e Gaspar, Devia Ser Condenada, De Valfrido e Valdemar... Fiscal da Limpeza Urbana Foi nomeado funcionário... Grande atuação no Rádio Melhoria no salário Teatro Cassino em Copa: Saudade do tempo áureo... Passou por várias emissoras No Rádio, com intensidade Gravação de Carinhoso Na Victor, uma nova idade A letra de João de Barro Deu asas à saudade... Orlando Silva interpretou A música com perfeição Sucesso extraordinário Carinhoso é explosão Cantarolada pelo Povo Consagrada na Nação... Surge Cinco Companheiros Com Tute no violão Na Rádio Mayrink Veiga Ótima apresentação E no dancing Eldorado Instrumental criação... A bordo do Uruguai, Com artistas populares, Jararaca e Cartola Samba para além dos ares Luís Americano e Donga E Zé da Zilda com seus pares... Leopold Stokowski Fez visita ao Brasil, Convite de Villa-Lobos, Grande mestre varonil, No píer da Praça Mauá Música pra lá de mil... Native Brazilian Music Gravação de Zé Barbino Dueto com Jararaca Artista de traço fino Pra americano ouvir Som de nível cristalino... Deixa a flauta de lado Assume o sax-tenor Com Benedito Lacerda Homenagem ao jogador Arthur Friedenreich Sensacional goleador... Grava o choro Um a Zero Com Benedito, parceria Sofres porque queres Ritmo com boa Poesia Ainda me recordo, bem O ritmo da harmonia... O Gato e o Canário, Urubatã: bem sedutor As Proezas de Solon Ingênuo, mas com Amor Os Oito Batutas da Música Descendo a serra, sem dor... Bem devagar e sempre Pixinguinha no batente Deu parceria a Benedito Divulgador consistente A união de resultado Com sucesso pela frente... Início dos Anos 50 Bolero e samba-canção Ganham popularidade E conquistam a multidão Pixinguinha se recolhe Em fase de meditação... Retorna em 54 Com o amigo Almirante Festival da Velha Guarda Em São Paulo, triunfante Encontra velhos amigos Toca a música, radiante... Em maio de 56, Homenagem de Negrão Pixinguinha vira Rua Vai à inauguração Celebrado em Olaria Fica grato o coração... Na Orquestra Pixinguinha Músicas de Carnaval Marchinhas de João de Barro Alberto Ribeiro e tal Polca, maxixe e choro Assim é que é...legal... Carnaval de Nássara Pixinguinha em ação LP Cinco Companheiros Faz a rememoração Carnaval dos tempos bons Em ritmo de animação... Trilha sonora de filme Com Vinícius, parceria Filme de Alex Viany Sol sobre a lama...reluzia Vinícius musica Lamento Com expressiva Poesia... Ano de 64 Pixinguinha internado Acometido de enfarte Logo é hospitalizado 20 dias de repouso Pra ficar recuperado... Faz várias composições; No Elevador; Solidão; Mais Três Dias; Vou pra Casa; Fala Baixinho, meu coração Na Harmonia das Flores, Sinfonia da Emoção... Hermínio Belo de Carvalho É o seu novo parceiro... Isso é que é viver, Salve o povo batuqueiro... Isto não se faz, viu... Viva o samba no terreiro... Outubro de 66 Ao MIS faz depoimento Fala baixinho no FIC Expressão do sentimento Homenagem à enfermeira Que fez o seu tratamento... II FIC - TV GLOBO, Ganha interpretação De Ademilde Fonseca Pra bela composição Fala Baixinho ecoa No Festival da Canção... Em abril de 68 No MIS ganha exposição 70 anos de idade Festa em comemoração Celebridade da música Pixinguinha é coração... LP Gente da Antiga Por Hermano produzido João da Baiana e Clementina Importante acontecido No depoimento ao MIS: O Gênio é reconhecido... Pixinguinha 70 Pela Victor foi gravado, Pixinguinha ao Vivo Tem seu nome celebrado Regente e compositor Musicista destacado... LP Som Pixinguinha Pela Odeon lançado Morre a sua Albertina Deixa o mestre apaixonado A saudade invade o peito Do regente consagrado... Pixinguinha e Albertina Casal que se fez amado Apesar de não ter filhos Um menino foi adotado Cujo nome era Alfredo, Como o músico nomeado... Falece em 73 A 17 de fevereiro Teve um enfarte fulminante Lá no Rio de Janeiro Na Nossa Senhora da Paz Morre um gênio brasileiro... Museu da Imagem e do Som O seu corpo foi velado 2 mil vozes no velório Carinhoso foi cantado, Pixinguinha nos deixou Mas deixou o seu legado... Pixinguinha é eterno Alquimista inovador Maestro do Infinito Genial compositor De obra monumental Universal criador..   Referências Bibliográficas  Imagens: A Mulher Que Botou O Diabo Na Garrafa: BORGES, J . Altura: 481, Largura: 723 pixels. 401,01KB (410.634 bytes). Formato: Imagem PNG. Compactado. Disponível em: . Acesso em 08 mai. 2012. A Chegada Da Prostituta No Céu: BORGES, J. Altura: 376, Largura: 500 pixels. 23,41KB (23.972 bytes). Formato: Imagem JPEG. Compactado. Disponível em: . Acesso em 08 mai. 2012.  Cordeis: DOURADO, Gustavo. Cordel para Pixinguinha. Disponível em: Acesso em: 08 mai. 2012. BORGES, J. A mulher que botou o diabo na garrafa. Disponível em: Acesso em: 09 mai. 2012. BORGES, J. A chegada da prostituta no céu.Disponível em: Acesso em: 09 mai. 2012.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A MULHER QUE BOTOU O DIABO NA GARRAFA

A MULHER QUE BOTOU O DIABO NA GARRAFA
Havia lá no sertão
uma mulher bem casada
com um homem ciumento
desses que não valem nada
desses machões que nunca
deixa a mulher sossegada.

A mulher era fiel
mas ele a tocaiava
brigava sempre com ela
ela chorando jurava
mas de toda forma ele
na mulher não confiava.

Até que chegou um ponto
dele espancar ela, um dia,
ela apanhando e dizendo
que aquilo não merecia,
e era de chegar a hora
que ela se vingaria.

E ele bruto como era
não confiava em ninguém
todo dia era uma briga
e naquele vai e vem
o diabo apareceu
para faturar também.

O homem foi trabalhar
encontrou um molequinho
pinotando em sua frente
ele achou engraçadinho
ele pulava e se sumia
bem no meio do caminho.

O homem disse ao moleque:
você é inteligente.
O menino disse: eu sei
tudo quanto você sente
me pague que eu lhe sirvo
em tudo daqui pra frente.

Eu sei que és ciumento
e na mulher não confia,
se me deres tua alma
eu tocaio todo dia
pra onde ela for eu vou
te juro com garantia.

Mas para isso preciso
eu ir contigo morar.
Eu estando em tua casa
você pode viajar
e garanto que não deixo
sua mulher namorar.

Ele levou o neguinho
chegou lá disse à mulher:
está vendo este negrinho?
ele é cheio de mister
ele vai seguir seus passos
até quando ele quiser.

A mulher disse ao marido:
você não tem jeito não
és ciumento demais,
sem alma e sem coração
e este moleque é tão feio
parece filho do cão.

O homem respondeu-lhe:
ele é quem vai te seguir
amanhã vou viajar
porque eu preciso ir.
E disse para o moleque:
procure bem me servir.

O moleque respondeu-lhe:
pode seguir sossegado
deixe sua mulher em casa
que eu não saio do seu lado
mesmo que ela não mereça
mas por você fui contratado.

Na saída da viagem
ela lhe fez um carinho
e lamentou porque ele
ia viajar sozinho,
e depois ela começou
conversar com o negrinho.

O negrinho disse a ela:
não vou sair do seu lado
e por esse meu trabalho
vou ser bem recompensado
seu marido me entregou
você pra eu ter cuidado.

A mulher sorriu e disse:
muito bem meu camarada
vou lhe propor uma aposta
pra ver se você se agrada.
O moleque disse: diga
e deu uma gargalhada.

A mulher disse ao moleque:
eu tomei uma atitude
te convido pra um banho
lá no meio do açude
que banho é necessário
para se ter melhor saúde.

o moleque disse: eu topo
se a senhora for pelada
e quero saber da senhora
a aposta solicitada
e vamos cair na água
nessa noite enluarada.

A mulher disse: a aposta
é para nós dois mergulhar
e se eu sair primeiro
você vai me tocaiar
pra o resto da minha vida
sem eu lhe atrapalhar.

O moleque disse: aceito,
e se eu sair primeiro?
Ela disse: eu lhe boto
numa garrafa ligeiro
bato a cortiça e do mundo
você não sente nem cheiro.

O diabo disse: tá certo
vamos logo ao açude
que estou um pouco sujo
e quero lavar meu grude
e ver também o seu corpo
que a qualquer homem ilude.

E assim foram ao banho
e a mulher tirou a roupa.
O diabo disse: é muito boa
igualmente pão com sopa
você é dessas mulheres
que faz defunto dar popa.

O diabo caiu na água
mergulhou foi para o fundo,
a muher vestiu a roupa
largou a perna no mundo
foi procurar cabaré
e ambiente vagabundo.

Passou a noite na zona
fez sexo de todo jeito
namorou 110 homens
levando tudo de eito
e dizendo: aquele marido
é assim que eu lhe ajeito.

Procurou se divertir
naquela vida sacana
tomando conhaque e vinho
licor, cerveja e cana,
sem se lembrar do moleque
passou mais de uma semana.

E depois que ela transou
por cabarés e motel
saiu dizendo: eu agora
gozei a lua-de-mel
vou voltar ao açude
e ao marido fiel.

E chegando no açude
tirou a roupa e entrou
e mergulhou dentro d’agua
o diabo se levantou
olhava pra todo canto
e com a mulher se espantou.

Disse ele: essa mulher
é das que o diabo gosta.
Naquilo a mulher saiu
o diabo estava de costa.
Disse a mulher: saiu primeiro
e eu quem ganhei a aposta.

Pegou o pobre moleque
e na garrafa botou
bateu bem na cortiça
dentro da água jogou
e saiu se rebolando
pra sua casa voltou.

Quando o marido chegou
lhe abraçou chorando
disse: eu choro é de saudade
e foi logo lhe beijando
e ele pelo moleque
foi logo lhe perguntando.

A mulher lhe respondeu
toda cheia de alegria
e disse-lhe: o molequinho
me fez boa companhia
e ele desapareceu
daqui já faz mais um dia.

O homem abraçou ela
e entrou em seu aposento
a cabeça cheia de galha
tinha até chifre cinzento
mas é isso que merece
o homem que é ciumento.

Foi essa mulher que botou
o diabo na garrafa
nos cabelos do marido
não entra pente nem marrafa
hoje é como chaleira
que aguentou chifre e abafa.

A CHEGADA DA PROSTITUTA NO CÉU

A CHEGADA DA PROSTITUTA NO CÉU

Do rosto da poesia
eu tirei o santo véu
e pedi licença a ela
para tirar o chapéu
e escrever a chegada
da prostituta no céu

Sabemos que a prostituta
é também um ser humano
que por uma iludição
fraqueza ou desengano
o seu viver é volúvel
sempre abraça o engano

Vive metida em orgia
e cheia de vaidade
é raro uma que trabalha
e usa honestidade
por isso fica odiada
perante a sociedade

Todas as religiões
pra ela escala uma pena
se o homem lhe abraça
a mulher casada condena
mas sabemos que Jesus
perdoou a Madalena

Falar sobre prostituta
é um caso muito sério
que é um ser sofredor
sua vida é de mistério
e para sobreviver
sempre usa o adultério

Perante a sociedade
ela é marginalizada
existe umas mais calmas
e outras mais depravadas
e quem tem mais ódio delas
é a própria mulher casada

Ela vive aqui na terra
enfrentando um sacrifício
se vende para os homens
muitas se entregam ao vício
enquanto nova se estraga
e faz da miséria ofício

Aconteceu que uma delas
morreu em um certo dia
e pela vida que levava
o povo sempre dizia
ela vai para o inferno
pelos atos que fazia

Assim que foi enterrada
a alma se destinou
querendo ir ao céu
mas primeiro ela passou
pelo portão do inferno
e o diabo lhe acompanhou

Saiu correndo atrás dela
dizendo vem cá bichinha,
um bocado como tu
faz tempo que aqui não vinha
e eu estou gamadão
nesta garota novinha

Mas na carreira que iam
o diabo e a prostituta
passaram no purgatório
e no sindicato das puta
e lá no portão do céu
foi que começou a luta

Porque já se encontrava
uma mulher bem casada
arengando com o marido
que morreu de uma virada
e queria entrar no céu
com uma faca afiada

Essa mulher que morreu
era muito ciumenta
quando viu a prostituta
entortou o pau da venta
e disse: vou te furá
foi uma luta cinzenta

Furou a mulher na perna
o marido puxou no braço
o diabo pegou também
dizendo já sei que faço
vou levar mesmo sem perna
mas levo o melhor pedaço

Nessa zuada São Pedro
se apresentou no portão
e disse: não tem lugar
pra mulher com bestalhão
só tem pra mulher sozinha
e foi logo estirando a mão

E pegou logo no braço
da mulherzinha assanhada
disse: você pode entrar
aqui não lhe falta nada
vai dormir na minha cama
até alta madrugada

Mas atrás dela já vinha
outro cara de complô
e disse: eu entro também
pode dá o estupô
porque na terra eu era
dessa mulher gigolô

São Pedro lhe respondeu
mas aqui é diferente
sou o chaveiro do céu
e aqui neste batente
só entra quem eu quiser
que sou velho, mas sou quente

Disse: vocês lá na terra
fazem tudo quanto quer
maltratam as prostitutas
e usam como quiser
mas aqui eu trato bem
a todos que aqui vier

E entrou de braço dado
com a mulherzinha singela
com uma perna furada
mas São Pedro tratou dela
e deu apoio a prostituta
que ninguém bulia nela

E com três dias depois
São Pedro veio lá fora
o casal estava esperando
o diabo foi embora
e levou o gigolô
para fura-lo de espora

Depois disso a prostituta
foi fazendo o que bem quis
botou galha em São Pedro
namorou com São Luiz
tirou sarro com São Bento
no beco do chafariz

Uma noite de São João
dançou com São Expedito
levou xecho de São Brás
namorou com São Carlito
e no fim da festa foi
dormir com São Benedito

E não quis Santo Oscar
por ser barbudo demais
deixou ele na espera
e foi dormir com São Brás
Santo Oscar quando acordou
falou alto e bem voraz

Disse ele: hoje mesmo
antes de tomar café
eu vou contar a Jesus
essa puta como é
depois da sua chegada
o céu virou cabaré

Ele foi disse a Jesus
que ela era depravada
Jesus respondeu calmo
deixa essa pobre coitada
se na terra sofreu tanto
como vai ser castigada?

Na terra não teve apoio
em meio à sociedade
levou a vida sofrendo
e fazendo caridade
aceitando preto e branco
que tinha necessidade

Mesmo com as prostitutas
vive cheio de tarado
correndo atrás das moças
e mulher de homem casado
se não houvesse prostituta
qual seria o resultado?

Ele ficou cabisbaixo
e respondeu: muito bem
se o sol nasce pra todos
pra mulher nasceu também
se um dia eu pegar ela
trituro e deixo um xerém

Aí ficou sem efeito
a denuncia de Santo Oscar
pediu perdão a Jesus
e voltou pra seu lugar
e encontrou São Mariano
num sarro de admirar

Aqui termino o livrinho
em favor da prostituta
para vender aos homens
o rapaz, o corno e puta
pessoas de baixo porte
e aos de boa conduta.

terça-feira, 8 de maio de 2012

segunda-feira, 28 de março de 2011

Como na Argentina

Não é fácil eliminar um corpo. Uma vida é fácil. Uma vida é cada vez mais fácil. Mas fica o corpo, como o lixo. Um dos problemas desta civilização: o que fazer com o próprio lixo. As carcaças de automóveis, as latas de cerveja, os restos de matanças. O corpo boia. O corpo vai dar na praia. O corpo brota da terra, como na Argentina. O que fazer com ele? O corpo é como o lixo atômico. Fica vivo. O corpo é como o plástico. Não desintegra. A carne apodrece e ficam os ossos. Forno crematório não resolve. Ficam os dentes, ficam as cinzas. Fica a memória. Ficam as mães. Como na Argentina.

Seria fácil se o corpo se extinguisse com a vida. A vida é um nada, acaba-se com a vida com um botão ou com uma agulha. Mas fica o corpo, como um estorvo. Os desaparecidos não desaparecem. Sempre há alguém sobrando, sempre há alguém cobrando. As valas comuns não são de confiança. A terra não aceita cadáver sem documentos. Os corpos são devolvidos, mais cedo ou mais tarde. A terra é protocolar, não quer ninguém antes do tempo. A terra não quer ser cúmplice. Tapar os corpos com escombros não adianta. Sempre sobra um pé, ou uma mãe. Sempre há um bisbilhoteiro, sempre há um inconformado. Sempre há um vivo.

Os corpos brotam do chão, como na Argentina. Corpo não é reciclável. Corpo não é reduzível. Dá para dissolver os corpos em ácido, mas não haveria ácido que chegasse para os assassinados do século. Valas mais fundas, mais escombros, nada adianta. Sempre sobra um dedo acusando. O corpo é como o nosso passado, não existe mais e não vai embora. Tentaram largar o corpo no meio do mar e não deu certo. O corpo boia. O corpo volta. Tentaram forjar o protocolo – foi suicídio, estava fugindo – e o corpo desmentia tudo. O corpo incomoda. O corpo faz muito silêncio. Consciência não é biodegradável. Memórias não apodrecem. Ficam os dentes.

Os meios de acabar com a vida sofisticam-se. Mas ainda não resolveram como acabar com o lixo. Os corpos brotam da terra, como na Argentina. Mais cedo ou mais tarde os mortos brotam da terra.

(Luís Fernando Veríssimo, A mãe do Freud, L&PM Editore Ltda., Porto Alegre, 1985)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

27/01/2011

"Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá" escreveu o Gonçalves Dias. E morreu afogado na costa do Maranhão quando tava voltando.
Algumas coisas não dependem de nós. Não importa o quanto você se esforce, certas coisas você simplesmente não foi destinado a alcançar.